Dame Vampiria

"Quem sou eu? De onde venho?... Estou sempre morto. Mas um vivo morto, Um morto vivo. Sou um morto Sempre vivo. A tragédia em cena já não me basta. Quero transportá-la para minha vida." Salvador Dalí
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Marcus Vinícius de Morais, poeta brasileiro, nasceu a 19-10-1913, no Rio de Janeiro. Vinicius escreveu seu primeiro poema aos oito anos de idade. Seu primeiro livro, "Caminhos para a Distância", foi publicado em 1933. Depois seguiram-se: "Elegias","Ariana","A Mulher","Novos Poemas","Poemas, Sonetos e Baladas","Pátria Minha" e outros. Em 1943, entrou para o Itamarati e, em 1946, foi para Los Angeles. É um dos mais inspirados compositores da música popular, exemplo, "Garota de Ipanema".

Soneto do Amor Total

Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

©Vinícius de Morais



- Postado por: Dame_Vampiria às 08:29:11 PM
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...

Árias e cançoes III - Alphonsus de Guimarães

A suave castelã das horas mortas

Assoma à torre do castelo. As portas,

Que o rubro ocaso em onda ensangüentara,

Brilham do luar à Luz celeste e clara.

Como em órbitas de fatais caveiras

Olhos que fossem de defuntas freiras,

Os astros morrem pelo céu pressago...

São como círios a tombar num lago.

E o céu, diante de mim, todo escurece...

E eu nem sei de cor uma só prece!

Pobre Alma, que me queres, que me queres?

São assim todas, todas as mulheres.

 

Hirta e branca... Repousa a sua áurea cabeça

Numa almofada de cetim bordada em lírios.

Ei-la morta afinal como quem adormeça

Aqui para sofrer Além novos martírios.

De mãos postas, num sonho ausente, a sombra espessa

Do seu corpo escurece a luz dos quatro círios:

Ela faz-me pensar numa ancestral Condessa

Da Idade Média, morta em sagrados delírios.

Os poentes sepulcrais do extremo desengano

Vão enchendo de luto as paredes vazias,

E velam para sempre o seu olhar humano.

Expira, ao longe, o vento, e o luar, longinquamente,

Alveja, embalsamando as brancas agonias

Na sonolenta paz desta Câmara-ardente...

 



- Postado por: Dame_Vampiria às 07:21:56 PM
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